Pernambuco e o Desafio de Transformar Potencial em Desenvolvimento
Pernambuco vive um momento importante para definir os rumos do seu desenvolvimento econômico. Temos uma economia diversificada, localização estratégica e regiões com vocações produtivas bastante distintas. Potencial, portanto, não nos falta. A questão é outra: como transformar esse potencial em investimento, emprego, renda e desenvolvimento?
Essa resposta passa, necessariamente, pela capacidade de Pernambuco oferecer um ambiente competitivo tanto para quem já produz aqui quanto para quem avalia investir no Estado.
Nos próximos anos, algumas questões serão decisivas. Infraestrutura, atração de investimentos, qualificação profissional, inovação e fortalecimento da indústria precisam estar no centro dessa agenda. E, quando falamos em desenvolvimento de Pernambuco, não podemos olhar apenas para a Região Metropolitana do Recife. Agreste, Zona da Mata e Sertão precisam fazer parte dessa estratégia.
Entre essas questões, a infraestrutura talvez seja uma das mais urgentes. Ainda convivemos com gargalos que aumentam custos, reduzem a produtividade e limitam a expansão das empresas. Estradas, ferrovias, energia, segurança hídrica e melhores acessos aos principais centros produtivos não são apenas obras de infraestrutura. São condições para que Pernambuco consiga competir.
É sob essa perspectiva que precisamos olhar para projetos como a Transnordestina, a ampliação e melhoria da BR-232, o Arco Metropolitano e os investimentos relacionados ao Complexo Industrial Portuário de Suape. Mais do que executar obras, precisamos conectar melhor Pernambuco, reduzir custos logísticos e aproximar o interior dos grandes mercados consumidores.
Essa discussão ganha ainda mais importância diante da Reforma Tributária.
Por décadas, os incentivos fiscais foram utilizados pelos estados como instrumento para compensar parte das desigualdades regionais e atrair empresas. Com a transição para o novo sistema tributário, esse instrumento perderá gradualmente espaço. Pernambuco precisa começar a se preparar desde já para competir nessa nova realidade.
E há uma questão geográfica que me preocupa particularmente.
Pernambuco estará entre duas forças econômicas difíceis de ignorar. De um lado, a Zona Franca de Manaus, que teve seu tratamento tributário diferenciado preservado. Do outro, o Sul e o Sudeste, onde estão concentrados grande parte do mercado consumidor, da renda e das principais cadeias produtivas do país.
Diante disso, uma pergunta precisa ser feita: quando os incentivos fiscais perderem força, por que uma empresa escolherá Pernambuco para fazer seu próximo investimento?
Não há uma resposta simples. Mas certamente ela passa por infraestrutura de qualidade, logística eficiente, disponibilidade de energia, trabalhadores qualificados, inovação, segurança jurídica e um ambiente de negócios que permita às empresas produzir com competitividade.
Na minha avaliação, essa será uma das discussões econômicas mais importantes para Pernambuco nos próximos anos.
O cenário nacional também importa. As eleições podem alterar prioridades da política econômica, investimentos e estratégias de desenvolvimento do país. Mas, independentemente do resultado das urnas, Pernambuco precisa saber onde quer chegar e quais projetos considera estratégicos para chegar lá. Nosso desenvolvimento não pode depender apenas das decisões tomadas em Brasília.
Também precisamos olhar para dentro do Estado.
Não seremos verdadeiramente mais competitivos enquanto as oportunidades permanecerem excessivamente concentradas na Região Metropolitana do Recife.
Temos o Polo de Confecções do Agreste, o polo gesseiro do Araripe, a fruticultura irrigada do São Francisco, atividades industriais importantes na Zona da Mata, Suape e toda a sua cadeia industrial e logística, além de uma economia de tecnologia e serviços cada vez mais relevante. São realidades muito diferentes, mas que mostram a diversidade econômica de Pernambuco.
Interiorizar o desenvolvimento não é simplesmente levar uma empresa para fora do Recife. É permitir que uma empresa instalada em Caruaru, Petrolina, Araripina ou em qualquer outra região tenha condições de produzir, contratar, inovar e chegar aos mercados em condições competitivas.
E não podemos falar em novos investimentos sem falar em pessoas.
Uma empresa pode chegar ao Estado com máquinas, tecnologia e capital, mas precisará encontrar trabalhadores preparados. Por isso, qualificação profissional e aproximação entre empresas e instituições de ensino precisam acompanhar qualquer estratégia de atração de investimentos. Afinal, o desenvolvimento só faz sentido quando o investimento também se traduz em oportunidades para quem vive aqui.
Pernambuco tem uma janela importante pela frente.
Talvez seja a hora de falarmos um pouco menos sobre o potencial que temos e um pouco mais sobre o que precisamos fazer para aproveitá-lo. A Reforma Tributária vai mudar parte das regras do jogo. A tecnologia continuará transformando empresas e profissões. E os estados continuarão disputando investimentos. Pernambuco não pode ficar esperando para ver o que acontece.
Precisamos construir vantagens que não dependam apenas de incentivos fiscais ou de decisões tomadas em Brasília. Infraestrutura, produtividade, qualificação,inovação e segurança para investir precisam fazer parte de uma estratégia que enxergue Pernambuco por inteiro.
No fim das contas, desenvolvimento econômico não é simplesmente fazer o PIB crescer. É criar condições para que investimento, produtividade e geração de empregos se traduzam em renda, oportunidades e melhoria da qualidade de vida.
Pernambuco não precisa mais provar que tem potencial. O desafio dos próximos anos será transformar esse potencial em investimento, produtividade, emprego e renda. Em um cenário de novas regras tributárias e de maior disputa por investimentos, esperar não será uma estratégia. Pernambuco precisa construir, desde agora, as vantagens competitivas que sustentarão seu próximo ciclo de desenvolvimento.
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